Altos e Baixos da Festa Santa.

Por Gabriel Caldas e Deliane Melo

Um dia muito quente, como já virou tradição em todos os Círios realizados desde 1793. A multidão se amontoa pelas ruas seguindo a imagem da Santa em um corrente de milhares de pessoas unidas pela fé ou por agradecimentos de graças atendidas.

Partes desses fiéis aproveitam à procissão de suas casas e podem acompanhar a passagem da santa da varanda de suas casas. Em outros casos, muitos fiéis que são agraciados com convites de bancos e empresas acompanham o Círio de arquibancadas montadas em lugares estratégicos da procissão, que tradicionalmente, armam grandes palcos onde cantores de música lírica fazem apresentações com músicas da festa.

Maria Claudia, estudante de artes da Universidade Federal do Pará estava na arquibancada montada na frente do Banco da Amazônia e conta que sua família recebe todos os anos, convites para assistir o Círio:

“Venho com os meus pais desde muito pequena. Sempre gostei da procissão e acompanho a Transladação por 5 anos seguidos, mas sempre venho com meus pais para passagem da Santa”.

Este ano, no palco do Banco da Amazônia, o cantor Jerry Adriani cantou algumas canções para os fieis da procissão. Em vários momentos interrompeu as músicas para pedir a colaboração das pessoas em abrir caminho para a passagem de voluntários da Cruz Vermelha a passar entre a multidão.

Embora comum, as arquibancadas não são um privilégio para todos no evento. Muitas pessoas não têm dinheiro para pagar pelo ingresso ou simplesmente preferem acompanhar a passagem da Santa dos lugares mais diversos. Muitos trazem a sua família para acompanhar a romaria.

No caso da senhora Carmita Santa Rosa, 77 anos, a história foi um pouco diferente. Ela veio acompanhar a festa do círio e parou para perguntar se a arquibancada era de graça para os idosos, contudo recebeu resposta negativa ao que pretendia.

O que a senhora achou do valor do ingresso no valor de 20,00 R$?

“Um absurdo já que a arquibancada é para ser para a população. Isto só foi feito para os turistas para ganharem em cima da Virgem”.

A senhora está sozinha ou está acompanhada?

“Estou só, parei para perguntar da arquibancada porque estou com a perna com 7 meses de fraturada.”

O que piorou no Círio de Nazaré?

“Sou católica desde pequena, sempre acompanho o círio fluvial e a cada abo que passa está mais caro, assim como esta arquibancada a procissão religiosa infelizmente se tornou um meio de marketing para muitos e não com o verdadeiro intuito de unir a fé do povo paraense na Nossa Senhora de Nazaré.”

O que melhorou?

“Os meios de comunicação ajudam a divulgar a fé do povo paraense e isso me da muito orgulho.”

Outros aproveitam à festa não só para divulgar a festa para os turistas, como também para se preparar para o mercado de trabalho. Como Carmem Lima, 20 anos aluna do Curso de Turismo na FAP:

Que papel você está fazendo nesse momento?

“Estou auxiliando os turistas sobre a festa religiosa, os pontos turísticos, os locais mais interessantes”.

Você é católica?

“Sou sim, e fico muito feliz por ta fazendo o que gosto e rezando pela nossa padroeira”.

Entre os turistas, está Telma Cardoso, 51 anos:

A senhora há quanto tempo vem para a arquibancada?

“Há sete anos, pois sempre acompanho uma tia minha que é deficiente física e idosa e trago meus dois netos de 10 e 11 anos e eles ficam esperando os pais a passar por aqui”.

A senhora sempre veio para o Círio?

“Sim, mesmo ter morado alguns anos em SP eu nunca perdi uma procissão”.

A arquibancada é uma boa opção para os turistas?

“Sim, não só para os turistas como também para pessoas como eu e minha tia que não podem acompanhar e querem ver a virgenzinha e o calor também traz mal estar a muitas pessoas como eu então a arquibancada ajuda a todos a verem e participarem da festa”.

O que precisa ser aperfeiçoado para o Círio ser ainda mais grandioso?

“Acredito que tem que ser um pouco mais rápida a procissão devido o cansaço e desgaste principalmente aos idosos e crianças já que nem todos tem a opção de estarem aqui e outro problema seria o dos transportes que nunca conseguem suprir a necessidade de todos principalmente porque vem muita gente do interior do Estado do Pará”.

O Resultado Ignorado da Procissão.

Infelizmente, com um grande amontoado de pessoas como o Círio, o controle de dejetos e lixo é um grande problema da organização. É inevitável andar pelas ruas que cortam o caminho da procissão sem sentir o forte odor de urina por todos os lados.

Situação essa que fez com que Carla Marlene, empregada domestica 30 anos, comenta a situação da rua adjacente do mesmo local do palco do Banco do Pará:

“Eu acho uma falta de respeito. A educação passa longe dessas pessoas! Está certo que não tem muita saída já que não tem banheiro para todo mundo. Mas mesmo assim fica muito ruim para nós que queremos ver a Santa. É um fedor muito forte! Eu deveria ter deixado o meu filho em casa. Não fico aqui mais no ano que vem”.

Pelo teor religioso do evento, é deixado de lado os efeitos de milhões de pessoas podem exercer em seu trajeto. O que acarreta muitos problemas para os moradores da região.

A aposentada Maria Benedita, 74 anos, só consegue acompanhar a procissão pela Tv, mas sofre com a situação, já que a sua casa é se encontra na região:

“Todo ano é assim. As pessoas cortam o caminho da Presidente Vargas para pegar a Santa em Nazaré, ai fica esse fedor de mijo na rua. Todo ano eu tenho que sair na rua e jogar uma água sanitária para abafar o fedor”.

Segundo dona Maria, a prefeitura manda uma equipe de limpeza para as ruas, mas a demora pode levar dias.

”Eles mandam todo mundo para o trajeto da procissão enquanto a rua da minha casa fica fedendo por uns 3 ou 4 dias”.

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