A História do Círio contada em detalhes.

Por Larissa Rodrigues e Thaís Costa

A festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré a cada ano atrai muitos devotos, turistas e curiosos, pois é nesta data em que as pessoas podem presenciar as manifestações de fé mais distintas e emocionantes, como: casa, barco, pneu, tijolo, boneco e outros objetos sendo carregados nos braços ou então sobre a cabeça dos devotos que conseguiram a realização de um sonho. Tais manifestações mereceram a criação em 1986 do Museu do Círio no subsolo da Basílica de Nazaré para registrar e expor as mais variadas promessas pagas pelos romeiros.Em 2002 o ex- complexo arquitetônico jesuítico deu espaço ao então “Complexo Feliz Lusitânia” abrigando os restaurados “Casa das Onze Janelas”, Museu do Forte do Presépio e o Museu de Arte Sacra. O Museu do Círio fica na extensão deste último e parte das suas paredes  são originais e as vigas ainda encontravam-se preservadas apesar do tempo e com a ajuda do grude de gurijuba, usado como um  eficaz ‘selante’ na época.  Entrando no Museu do Círio, que conta hoje com 1.400 peças em seu acervo, nos deparamos com os símbolos da Festa Religiosa e objetos  que aguçam a curiosidade do visitante.  Os estandartes bordados e pintados usados durante a procissão, uma berlinda decorada com flores e a imagem da Santa exposta em seu interior ‘aproxima’ o visitante da emoção sentida no ‘grande dia’. Educador do Museu do Círio há mais de um ano, Joaquim Neto diz que “as pessoas se encantam ao entrar aqui, pois os símbolos estão explícitos e o meu trabalho é ajudá-las a contextualizá-los. Elas sabem que não são demonstrações de auto- sacrifício gratuitos, mas sim de fé; algo que é impalpável. Os objetos nada mais são do que representações das promessas e graças alcançadas, as dificuldades sócio- econômicas do mundo atual relacionadas a aquisição de bens materiais”.

Objetos de cera e miriti são os mais comentados.

Pés, mãos, braços, pernas, cabeças, orelha, nariz. Todos os membros e quase todos os sentidos do corpo humano estão reproduzidos em um material de cera produzidos para as pessoas que acompanham o Círio e pagam suas promessas pela cura recebida de Nossa Senhora de Nazaré.Mas há também dentaduras, um par de gessos de pernas de bebê que provavelmente se curou.Velas, crucifixos, camisas dos times do Remo e do Paissandu com bilhete em agradecimento à Santa por eventuais vitórias. Para todas as idades, os brinquedos de Miriti são a atração a parte. Patos, casais abraçados dançando e até mesmo a Nossa Senhora sobre um vitória régia foi esculpida dessa palmeira que faz as mais variadas formas e encantam todos que passam pelo Pará. “Durante a procissão, os curadores ficam atentos aos romeiros e objetos. Eles buscam sempre os relatos onde há algo emocionante e comovente. O trabalho é difícil, pois selecionar a emoção é um desafio sempre”, diz Neto.

“Ela desperta o que há de melhor em mim”.

Pela segunda vez em Belém, a paulistana Gabriella Palomino diz que “o Círio é sem dívida a maior manisfestação religiosa que já viu”, mas ao Museu é a primeira vez que o visita e que “todos deveriam divulgar mais a Festa do Círio. Nossa Senhora de Nazaré desperta todos os meus sentimentos verdadeiros.”O Museu parece que desperta esse sentimento de humanidade, fé e religiosidade não sós aos visitantes, mas à todos que estão no dia-a-dia fazendo dele o seu trabalho. Quando perguntado sobre o quê o motiva a trabalhar “tão próximo da Santinha”, Joaquim Neto dispara: “Ah, a Naza…Ela me proporcionou conhecer pessoas de todo país  e até mesmo de fora que me convidam para ir à casa delas se estiver à passeio ou estudando. Não sei de onde vem essa simpatia toda, mas parece que grande parte das pessoas que ainda tenho amizade e que conheci aqui querem me ajudar e isso faz parte de uma evangelização inconsciente: de querer bem e ajudar o próximo. Já pensei muitas vezes em desistir, largar tudo porque eu só ganho o vale-transporte, mas trabalhando aqui eu sinto uma paz de espírito que não sei explicar. A presença Dela me cativa”.

A honrosa corda do círio

No museu do círio podemos encontrar a corda a mostra para o acesso de todos. A corda é um símbolo de fé muito grande para o círio de Nossa Senhora de Nazaré. Os promesseiros que acompanham a corda no percurso da celebração religiosa enfrentam inúmeras dificuldades como, falta de ar, sede, e certas vezes nem conseguem chegar até o final do percurso. As pessoas que estão em volta desses promesseiros se solidarizam e tentam ajudar homens e mulheres que estão naquele momento testando sua fé. Tudo vale quando se trata de agradecer por um milagre, por um pedido alcançado com esperança, devoção e fé em Nossa Senhora de Nazaré. Conseguir um pedaço da corda ao fim da procissão é quase impossível, porém, vale à pena tentar. Ao final da longa e sofrida caminhada não há nada mais recompensador. 

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