A Harmonia em nome da Fé!

Por Luciana e Haroldo

O segundo domingo de outubro, além da celebração da Fé na Virgem de Nazaré, tornou-se o dia dos encontros e reencontros. Vindos de longe e de perto, pessoas reencontram entes há muito distantes ou, movidos pelas afinidades, são capazes de acolher colegas de trabalho como uma família.  Amor, carinho, fraternidade e devoção são sentimentos que dão densidade acerca do Círio de Nazaré.

Dessa forma a fé é propagada e ganha o caráter de união. Essa comunhão de diferentes naturezas move encontros familiares como da Senhora Cecília Araújo de 59 anos –  Moradora do Edifício Gualo, localizado na Avenida Presidente Vargas, acredita na importância do encontro para a família, afirmando que “O Círio é o momento de Paz, Fé e muitos agradecimentos pela família”.  A empresária Lúcia Assunção, 56 anos, reside em Brasília há 30 anos e a ultima vez que esteve em Belém foi no ano de 1999; Em visita a cidade, escolheu o período do Círio para renovar sua fé e abraçar a família, já que também acredita que o almoço do círio colabora para estreitar os laços familiares.

Grandes Encontros

Na residência de dona Ana Ferreira Ramos, de 94 anos, localizada na Avenida Nazaré, nº. 928, os preparativos para o Círio começam, na verdade, uma semana antes, quando ela liga para todos os familiares e se certifica de quantos irão participar; este ano, pouco mais da metade compareceu. “Mas nada que tirasse o brilho de mais esse encontro”, conta dona Ana. Além disso, outra marca é a ornamentação da sacada da casa, totalmente a caráter e com direito a uma réplica de imagem da Santa. Ao todo, são mais de trinta pessoas entre filhos, netos, bisnetos, noras e genros. Segundo dona Maridalva Ramos, de 71 anos, filha mais velha, essa tradição começou há cerca de 30 anos quando a família saiu de Vizeu, no Nordeste do Estado, e veio morar na capital. “Mamãe já era devota fervorosa de Nossa Senhora, mas depois daí, ela ficou ainda mais. Sempre nos reunimos nesta época para renovarmos a fé e mantermos a família reunida em torno de Nossa Senhora de Nazaré”, destaca. Onde a maioria é católica, a exceção da família Ramos é dona Maridalva Ramos, que é espírita. “Embora sendo espírita, já alcancei muitas graças, e vendo o fervor das pessoas se entregando sem limites pagando ou pedindo algo à Mãe de Deus, impossível não se sentir comovida e emocionada”, pondera. Ela finaliza dizendo que não é necessário a autoflagelação e que existem muitas outras formas de se pagar ou agradecer um pedido.

Porém, há pessoas que não podem usufruir da companhia dos filhos, netos, esposas ou maridos. São os diversos trabalhadores que vêem no evento do Círio uma oportunidade de acrescentar na renda familiar, é o caso do senhor João Damasceno, 63 anos e que há 10 anos trabalha vendendo pipoca e lanches nas ruas de Belém. Chega a trabalhar 12 horas por dia, e argumenta:” Não posso deixar de trabalhar hoje, tenho que compra um remédio pra minha mulher que tá doente em casa. Mas Nossa senhora ta olhando por mim e me dará um bom dia das vendas!” Como não pode se reunir com a família, confraterniza com outros ambulantes na esquina da Tv. Carlos Gomes com a Presidente Vargas e juntos fazem “uma ceia” improvisada na rua

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